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terça-feira, 20 de outubro de 2009

As bruxas e os gatos pretos


Os gatos sempre foram associados à Bruxaria e à Magia em todas as crenças populares, especialmente os gatos pretos. Nenhuma representação artística de uma cabana de bruxa dos tempos antigos poderia estar completa sem um gato por perto. A verdade é que toda raça felina tem um certo ar de mistério que lhes confere magia e estranhamento.
Desde o Egito, até Roma e o Norte europeu, eles aparecem como criaturas mágicas. Durante os julgamentos das bruxas no século XVII, era comum a acusação de que elas se transformavam em gatos. Os gatos pretos sempre possuíram um simbolismo ligado ao oculto e frequentemente eram tidos como guardiões ou espíritos familiares das bruxas. A grande verdade é que muitas delas deveriam acolher os felinos que perambulavam pelas ruas, dando-lhes abrigo e comida, e por esse motivo passaram a ser associadas a eles nos manuais de acusações.
Em muitos rituais pagãos de diversas culturas era comum o uso de máscaras de animais para simbolizar o guardião daquele mago em questão. Mesmo as bruxas na Idade Média podem ter usado máscaras semelhantes, pois o simbolismo é direto. Porém, não só relacionado a gatos – também lebres, cavalos, bodes, enfim, animais que faziam parte de seu cotidiano. O propósito era invocar as características daquele animal, o que é uma forma de homenagem.
As bruxas frequentemente eram acusadas de transformarem-se com o propósito de molestar as pessoas, ou para correrem sem alarde durante a noite, enquanto faziam algo misterioso. Oras, a Igreja Católica sempre foi perita em chamar de demônios tudo aquilo que não era particularmente cristão. Com as bruxas e os gatos não foi diferente. E, assim, foi-se criando um senso comum a respeito dos gatos e sua ligação com o “demônio”, o que não passa de uma ideia absurda.
Uma das estórias era que o demônio aparecia nos sabás das bruxas na forma de um enorme gato preto. Talvez a Igreja tenha lhe dado essa atribuição em função do antigo culto de veneração aos gatos no Egito Antigo. Além disso, diversos deuses pagãos tinham formas de animais. Chamar tudo de demônio era a solução ideal para afastar os pagãos.
Os egípcios, por exemplo, associavam os gatos à Lua e consagravam-nos às deusas Ísis e Bast. No Museu Britânico há inúmeras imagens de gatos sagrados egípcios, assim como animais cuidadosamente mumificados.
Os gatos domésticos foram levados para a Inglaterra através dos romanos (e sim!, eles vieram do Egito). Os celtas tinham diversas lendas sobre os gatos sith das montanhas e os cath paluc de Gales. O gato na tradição gaélica-escocesa é descrito como sendo tão grande quanto um cachorro (isso suscita lendas de panteras negras até hoje na Bretanha). Em Macbeth, o gato não é preto, mas listrado, e mia insistentemente.
O poder da Igreja Católica na manipulação do imaginário popular foi tamanho, que até hoje há pessoas que temem quando um gato preto atravessa seu caminho, por exemplo, mesmo sem saber toda a história por trás disso.
No entanto, os gatos pretos também são associados à boa sorte! Existe uma velha rima popular inglesa que diz:Sempre que o gato da casa é preto,O amor das jovens moças não irá faltar!
Muitas pessoas usam broches e amuletos em forma de gatos pretos; nos anos 20 e 30 do século passado havia uma moda de chaleiras no formato de gatos pretos, como existem também abajures nesse formato, além de vários itens de decoração, para ficarmos somente em um campo.
Com relação à Magia, é muito interessante o que bruxas e bruxos relatam a respeito dos gatos. Muitos já viram seus gatos na cozinha, por exemplo, mesmo sabendo que eles estavam no quarto, dormindo, o que é um exemplo de viagem astral. Esse tipo de relato é comum. Outro fato comum é a atração que os gatos sentem pelo círculo mágico – eles sempre dão um jeito de entrar e sair, ficar por perto. Ou então, quando você vai ler o tarô. Lá está o gatinho curioso, rondando as cartas (isso quando não deita sobre elas!). Enfim, o que acontece é que muitas dessas pessoas também disseram que tentavam tirar o gato de perto e ele sempre voltava! Resumindo, eles gostam mesmo, o que é bastante engraçado e gostoso de vivenciar.
Seja como for, a crença nos poderes ocultos associados aos gatos é uma das mais antigas e sólidas vivências nos antigos – e recentes – conhecimentos das bruxas e bruxos que possuem – e adoram – seus gatinhos.

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