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terça-feira, 4 de maio de 2010

Quimbanda;O que é?

Quimbanda é uma palavra que designa uma prática religiosa e um sacerdócio. Pertence a língua da nação Bantu, que engloba mais de 400 etnias de povos proveniente do Oeste e Sudoeste da África, habitantes de um vasto território: Congo, Angola, Zâmbia, Gabão, Luanda, Ruanda e Tanzânia [DOS VENTOS, Mario. Na Gira do Exu: The Brazilian Cult of Quimbanda]. KI significa conhecimento; MBANDA, é poder de cura. O termo relaciona-se também com a palavra MA-KIUMBA ou, Espíritos da Noite.

Quimbanda é, portanto, uma religião e título conferido aos sacerdotes desta religião, que são intermediários entre os os homens e Makiumbas, os Espíritos da Noite, subordinados ao deus Calunga, Senhor do Reino dos Mortos. Embora os puristas umbandistas e os quimbandistas hipócritas neguem é evidente que o termo Macumba deriva de MA-KIUMBA, entendido hoje, no Brasil, como designativo dos trabalhos, os Ebós ou seja, as oferendas destinadas aos espíritos aos quais para que descubram a causa e a solução dos mais variados embaraços mundanos: doenças, inimigos, morte na família, problemas financeiros, decepções amorosas etc..

Na África, o Quimbanda era escolhido por um espírito e a partir daí passava por um período de aprendizado, uma Iniciação, que começava com um isolamento na floresta. Entre os Zulus, o processo de escolha doQuimbanda é chamado Thwasa ou Intwaso. Sabia-se que alguém tinha sido escolhido para ser umQuimbanda quando esse alguém apresentava determinados sintomas: moléstias, sonhos premonitórios, visões, distúrbios mentais que somente eram curados com uma série de rituais. Muitos Quimbandas tornam-se homossexuais assumindo aparência, trabalhos e nomes femininos.

O quimbanda, versado na ciência da Umbanda - arte da cura e da adivinhação - é um ritualista que adivinha acontecimentos futuros e desvenda mistérios dos passado. É ele que, interpretando os sinais que vêm do mundo espiritual, sabe prescrever os remédios para as doenças e os conjuros para os malefícios.

Existem duas maneiras para uma pessoa se tornar um quimbanda.

A primeira delas é ter um quimbanda como antepassado e dele receber a umbanda no sentido de conhecimento. Por meio de um sonho, o antepassado mostra ao sucessor o campo, a floresta [muxito], onde estão os remédios; indica as encruzilhadas, os lugares exatos para cada um dos tratamentos... Outra forma de se tornar quimbanda é trabalhando com um deles na condição de cabanda, auxiliar. Contudo, como os mestres viventes escondem alguns segredos, a umbanda recebida em sonho é sempre mais forte. São tradições da Quimbanda originalmente africana:

Muzambo: É o método de adivinhação tradicional [na quimbanda, originário da África]. Para proceder ao Muzambo, praticado sobre uma esteira, são necessários certos instrumentos: o muxacato, tabuinha feita de um pedaço de árvore mafumeira [ocá] e o mona, uma pequena haste de madeira. Quando o mona desliza suavemente na tábua, significa "não"; quando emperra, a resposta é "sim". Os dois objetos são previamente consagrados, amarrados e postos em contato com terra de sepultura e raízes de mandioca e gengibre. O vidente também utiliza a samba, bolsa de utensílios rituais, como a pemba, pó ou bastão, com o qual traça símbolos místicos. O ritual divinatório é realizado fora da casa, num quintal, com o quimbanda, o consulente e outros presentes sentados na esteira, no chão com exceção do quimbanda, que ocupa um banquinho.

Quando o pedido é um remédio [xico], o consulente deverá levar um ovo, pedras de pemba branca branca eucusso [pemba vermelha], folhas de dormideira e um graveto de mubilo [Adenia lobata], um ramo de mussequenha [cucurbitácea] e uma garrafa de vinho de caju [maluvo]. O quimbanda utiliza, nesses casos, o "prato das almas", onde será derramado o vinho de caju, e mais, cerveja de milho [quitoto], vinho português e água. Ao chamar o espírito, é entoada uma cantiga de invocação acompanhada de palmas. Neste ritual, o consulente é que entra em transe, e a autenticidade do transe é verificada pelo quimbanda, que passa uma agulha e uma brasa a ardente na língua do paciente. Se não houver lesão, o transe é autêntico...

Xinguilamento: É a comunicação com os espíritos por intermédio do transe. Quando um espírito está querendo se manifestar por meio de uma pessoa, os familiares, percebendo os sintomas, deverão imediatamente chamar um quimbanda [LOPES, Nei. Kibátu: O Livro do Saber e do Espírito Negro-Africanos, p 62].

Kiumbas: Tal como na Umbanda, os praticantes da Quimbanda, apesar de não poderem negar a indiferença ética dos Exus, e justificam este fato como sendo um elemento característico da religiosidade africana e uma condição própria da natureza, onde a existência dos opostos são uma condição essencial de equilíbrio, no caso, o bem e o mal.

Ainda assim, os quimbandeiros também vestem a capa de bons moços e afirmam que seu trabalho com os Exus é dos mais bem intencionados. Os equívocos eventuais ficam por conta da interferência maliciosa de espíritos chamados Kiumbas, estes sim, malévolos, obsessores, totalmente dedicados a perturbar a vidadas pessoas, inclusive os quimbandeiros. Os Kiumbas podem "baixar" nas Giras da Quimbandadissimulando sua verdadeira natureza, fazendo-se passar por Exus bem intencionados e, não raro, enganam os praticantes. O trabalho com estes espíritos das trevas é chamado Kiumbanda.

No Brasil, os africanos encontraram muitas semelhanças entre suas crenças e as crenças dos índios, como os Tenetchera [ou Tenetehara, conhecidos como Guajajaras no Maranhão e Tembé, no Pará pertencentes ao tronco Tupi-Guarani], por exemplo [DOS VENTOS, Mario. Na Gira do Exu: The Brazilian Cult of Quimbanda. [Trad. Ligia Cabús]. , p 24]. Uso de tabaco, o fumo nos ritos atuais é uma herança indígena. Entre os Bantu bem com entre os índios brasileiros, cada espírito tem sua própria música, sua batida de tambor, dança, comida e bebida favoritas [DOS VENTOS, Mario. Na Gira do Exu: The Brazilian Cult of Quimbanda. [Trad. Ligia Cabús]. , p 24].

O principal ritual da Quimbanda consiste na invocação de espíritos. Sessões, que na Umbanda são Giras decrianças, caboclos [as], pretos e pretas velhos, na Quimbanda são Giras de Exus. Os quimbandeiros trabalham exclusivamente com estas entidades que pertencem ao domínio astral daquele primeiro Exu criado por Nzambi na origem do Universo manifestado.

Na Quimbanda, assim como na Umbanda e no Candomblé, não se admite a possibilidade de comunicação direta entre Deus e os homens. Somente os espíritos invocados pelos Tatás, Babás, Ngangas, enfim, sacerdotes/xamãs, somente esses espíritos podem intermediar o contato entre o físico e o metafísico, o visível e o invisível. Assim, todo sacerdote Quimbanda é um medium que incorpora Exus, os executores dos trabalhos que interferem na realidade, na vida das pessoas, seja para o bem ou para o mal.

A denominação "Exu", acrescida de títulos identificadores, refere-se a espíritos tanto masculinos quanto femininos; estes últimos, mulheres desencarnadas, são as famosas pombas-giras. Na Quimbanda também existe uma hierarquia de Exus com seus respectivos Reinos, chefes e subordinados aos quais relacionam-se atribuições mais ou menos específicas. São 7 reinos Reinos; cada Reino possui 9 povos, num total de 63 povos de Exu.

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