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domingo, 6 de junho de 2010

Umbanda;Pombagira Dona Maria Mulambo

Foi no início do século XIX, pelos anos de 1818, época em que o Brasil caminhava para a independência de Portugal quando ainda mantinham no estilo de vida os costumes de colônia submissa, explorada, oprimida. Foi nesse tempo que nasceu em Alagoas, a filha dos Manhães, respeitada família de fazendeiros que viviam de criar gado na região próxima ao então vilarejo de Penedo. Maria Rosa da Conceição – era o seu nome – cresceu criada sob os arraigados moldes educacionais da ocasião. Quando moça feita o Brasil já se dizia independente: ela não era. Tinha nas mãos do pai o seu destino selado, como acontecia a tantos outros milhares de moças. Vigência comum eram os pactos de casamento, não entre os namorados, mas entre os que viam, nesse expediente, a forma de unir família, as consideradas poderosas e tradicionais, visando só interesses comerciais, territoriais e até políticos. Maria Rosa da Conceição não fugiria a esse destino quando, aos 19 anos de idade, foi prometida aos Cardins, na pessoa de Vicente, o filho. Comum também parecia “o outro lado” dessa história. Maria Rosa, claro, não amava Vicente. Era Luciano, capataz da fazenda dos Manhães, o dono de seu coração, um viúvo, sem filhos, com quase o dobro de idade da moça. Empregado dedicado servia a família. Luciano era homem de um caráter inquestionável, dote que certamente não seria considerado pelo coronel Manhães, caso o capataz propusesse, oficialmente, casar com a filha do fazendeiro. Mas Luciano e Maria Rosa, fora do tempo e do espaço, estavam perdidamente apaixonados. Vivendo um romance clandestino, porém verdadeiro, viam aproximar – se o funesto dia do combinado casamento de Rosa com Vicente. O noivado de seis meses já se tinha expirado. A cada dia que passava menor eram as esperanças de solução. Em Junho do ano de 1837, três meses antes da data marcada para a cerimônia nupcial, Maria Rosa e Luciano apelaram para única saída que lhes parecia possível – a fuga – e fugiram para as bandas de Pernambuco. Essa foi à saída possível, mas não, honrosa, não para as famílias ofendidas nem para os costumes do povo. O escândalo ganhou fazendas, roçados, estradas e os sertões, desbravados pelos dois irmãos de Maria Rosa na tentativa de reave-la e castigar um empregado que para eles se mostrara, agora, indigno de confiança, alem de detestável sedutor. Também para os Cardins a humilhação era sem precedentes! Quanto a Maria Rosa, julgavam os Cardins que ela não havia recebido dos pais a devida educação, tanto que agira de maneira tão afrontosa quanto imoral. Vai daí que as duas famílias cortaram relações, unido – se apenas no firme propósito de encontrar e punir Luciano. Durante três anos e seis meses, deu – se perseguição implacável e sem tréguas ao casal que, longe de fúria e do desejo de vingança dos seus e já com uma filha, encontrara nas terras do Coronel Aurino de Moura o seu recanto de felicidade – e onde, com a mesma dedicação, peculiar a seu caráter, Luciano também trabalhava como capataz. Numa tarde quente de Dezembro de 1840, quando despreocupado tratava no curral da fazenda, de um animal ferido, um bando cercou o local. Eram dois líderes brancos, negros, escravos, farejadores e capangas de aluguel. Sem qualquer explicação, mataram o animal a tiros e Luciano a facadas. Maria Rosa que, em casa, cuidava da filha, foi levada desacordada de volta a cidade de Penedo. Voltar para casa tinha que enfrentar a humilhação. Após cuspir–lhe no resto, o pai expulsou–a, orgulho ferido e ouvido fechados aos apelos dos dois filhos e da esposa, mãe sofrendo a reconhecer que a filha merecia castigo, mas, não, a renegarão. Maria Rosa julgou que recorrer ao abrigo de parentes poderia amenizar o sofrimento da sua filha. Com ela voltou a Pernambuco e, na cidade de Olinda, apelou para seus tios que, nem por isso, a trataram como sobrinha. Pelo contrário, sua condição de dependente e desvalida fez de Maria Rosa uma serviçal da família, a suportar, pelo bem da filha, novas humilhações. E Maria Rosa fugiu outra vez. Agora, sozinha. Seu amor, sequer estima ou consolo. Perdera tudo o que de mais importante e valioso tivera, provam carnal e espiritual do único amor de sua vida. Partiu para o caminho que, também desta vez, lhe parecia à única e desesperada solução possível: a prostituição. Assim foi tocando seus dias de amargura no falso esplendor da noite boêmia. Sem demora, sua saúde foi sendo minada pela tuberculose e pelas doenças venéreas. Mais uma vez passou a ser repudiava até pelas colegas da profissão chamada de “vida fácil”. Passou, então, a pedir esmolas pelas ruas. Nas suas andanças de extrema penúria, ficou dois anos em Recife, seguindo depois de cidade em cidade até chegar, de volta, à terra natal. Quem peregrinava, então, pelas ruas de Penedo não era a bela jovem de outrora, mas uma mulher magra, precocemente envelhecida, abatida, marcada, dilacerada pelo sofrimento do corpo e da alma. Irreconhecível, foi logo “batizada” pelo escárnio popular como MARIA MOLAMBO. Encontram – na assim os dois irmãos, levaram – na para a fazenda distante algumas léguas da cidade e lhe deram a notícia da morte dos pais e da sua inclusão na herança dos Manhães, graças à intervenção da mãe, a ultima a falecer.

Maria Rosa recebeu dos irmãos, bem se diga toda a assistência de que necessitava em razão da sua doença. Conseguiu, por isso, recuperar parte da saúde e dar início a uma nova vida, agora dedicada à comunidade, ajudando os carentes (que não eram poucos) abandonados e desabrigados, crianças, mulheres e idosos. Sua parte na herança ela destinou a esse trabalho anônimo e a um asilo já existente em Maceió, onde passou servindo todo o seu tempo de vigília. Maria Rosa da Conceição faleceu em 1857. Recebida no plano astral por muitos conhecidos e parentes, àqueles a quem havia beneficiado em sua vida terrena continuou a ser, agora carinhosamente, chamada de Maria Molambo.


MAIS UM PEDACINHO DE MULAMBO PARA VOCÊ …!!!

COMO MULAMBO É …

D. Maria Mulambo mostra-se quase sempre bonita, feminina, amável, elegante, sedutora. Ela gosta das bebidas suaves como
vinhos doces, licores, cidra, champanhe, anis, etc. E gosta dos cigarros e cigarrilhas de boa qualidade, assim como também lhe atrai o
luxo, o brilho e o destaque. Usa sempre muitos colares, anéis, brincos, pulseiras, etc. Exus e pombagiras dessa linha (estrada) são os
mais Brincalhões. Suas consultas são sempre recheadas de boas gargalhadas, porém é bom lembrar que como em qualquer consulta
com um guia incorporado, o respeito deve ser mantido e sendo assim estas brincadeiras devem partir SEMPRE do guia e nunca do
consulente.

São os guias que mais dão consultas em uma gira de Exu, se movimentam muito e também falam bastante, alguns chegam a
dar consulta a várias pessoas ao mesmo tempo. Nesta linha trabalham vários espíritos, desde os Exus da estrada propriamente dita,
como também os Cíganos e a malandragem. Também se encaixam nesta linha alguns espíritos, que apesar de já terem atingido um
certo grau de evolução, optaram por continuar sua jornada espiritual trabalhando como Exus .

Pontos:

Eu caminhava pela alta madrugada

Sob O CLARÃO DA LUA

OUVI UMA GARGALHADA

LINDA MORENA FORMOSA

ME DIGA QUEM VOCE É,

TU ÉS A DONA DA ROSA, ÉS POMBAGIRA DE FÉ

Pode abrir qualquer gira

pode chegar quem quiser

És pomba-gira de umbanda

SÓ NÃO CONHECE QUEM NÃO QUER.

Dizem que pombo gira é uma rosa

Que mora no meio dos espinhos

Dizem que Maria Molambo é uma rosa

Maria Molambo é uma rosa

Que abre os teus caminhos.

AQUELA ROSA QUE PLANTEI NA ENCRUZILHADA
AQUELA ROSA QUE PLANTEI NO MEU JARDIM
MARIA MULAMBO, MARIA MULHER,
MARIA MULAMBO É GIRA DE MUITA FÉ.
♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥
QUEM É ESSA MOÇA
QUE VEM ESTALANDO
OSSO POR OSSO
É MARIA MULAMBO
QUE MORA
NO FUNDO DO POÇO
♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥
MULAMBO, A RAINHA DIVINA
A DEUSA ENCANTADA
O SEU CONGÁ TEM SEGURANÇA
A SUA ESTÓRIA É MARCADA
ELA É RAINHA, ELA É MULHER> bis
PEDACINHO DE MULAMBO
PARA QUEM TEM FÉ
♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥
MARIA MOLAMBO EMBAIXO DE UMA FIGUEIRA
ELA DANÇAVA EM CIMA DE UMA FOGUEIRA
MARIA MOLAMBO DEU UMA FORTE GARGALHADA
E ESPEROU SEU TRANCA RUAS
NA PRIMEIRA ENCRUZILHADA.

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