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sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Oxum

(Pintura da Artista Claudia Kringes)



OXUM (ÒSUN) 


Òsun na África 

Oxum é a divindade do rio de mesmo nome que corre na Nigéria, em Ijexá e Ijebu. Era, segundo dizem, a segundo mulher de Xangô, tendo vivido antes com Ogum, Orunmilá e Oxossi. 
As mulheres que desejam ter filhos dirigem-se a Oxum, pois ela controla a fecundidade, graças aos laços mantidos com Ìyámi-Àjé ("Minha Mãe Feiticeira"). Sobre este assunto, uma lenda conta que: 

"Quando todos os orixás chegaram a terra, organizaram reuniões onde as mulheres não eram admitidas. Oxum ficou aborrecida por ser posta de lado e não poder participar de todas as deliberações. Para se vingar, tornou as mulheres estéreis e impediu que as atividades desenvolvidas pelos deuses chegassem a resultados favoráveis. Desesperados, os orixás dirigiram-se a Olodumaré e explicaram-lhe que as coisas iam mal sobre a terra, apesar das decisões que tomavam em suas assembléias. Olodumaré perguntou se Oxum participava das reuniões e os orixás responderam que não. Olodumaré explicou-lhes então que, sem a presença de Oxum e do seu poder sobre a fecundidade, nenhum de seus empreendimentos poderia dar certo. De volta a terra, os orixás convidaram Oxum para participar de seus trabalhos, o que ela acabou por aceitar depois de muito lhe rogarem. Em seguida, as mulheres tornaram-se fecundas e todos os projetos obtiveram felizes resultados".
Oxum é chamada de Ìyálóòde (Iaodê) título conferido à pessoa que ocupa o lugar mais importante entre todas as mulheres da cidade. Além disso, ela é a rainha de todos os rios e exerce seu poder sobre a água doce, sem a qual a vida na terra seria impossível. 

Os seus axés são constituídos por pêras do fundo do rio Oxum, de jóias de cobre e de um pente de tartaruga. 
O amor de Oxum pelo cobre, o metal mais precioso do país iorubá nos tempos antigos, é mencionado nas saudações que lhe são dirigidas: 
"Mulher elegante que tem jóias de cobre maciço".
É uma cliente dos mercadores de cobre. 
Oxum limpa suas jóias de cobre antes de limpar seus filhos ". 

(Pintura do Artista Carybé)

Numerosos lugares profundos (ibù), entre Igèdè, onde nasce o rio, e Lke, onde ele deságua na lagoa, são os laçais de residência de Oxum.
Aí, ela é adorada sob nomes diferentes e suas características são distintas uma das outras. Encontramos: 

Yèyé Odò, perto da nascente do rio; 

Òsun Ijùmú, rainha de todas as Oxuns e que , como a que vem a seguir, está em estreita ligação com as bruxas Ìyámi-Àjè;

Òsun Àyálá ou Òsun Ìyánlá, a Avó, que foi a mulher de Ogum;

Òsun Osogbo, cuja fama é grande por ajudar as mulheres a ter filhos;

Òsun Apara, a mais jovem de todas, de gênio guerreiro;

Òsun Abalu, a mais velha de todas;

Òsun Ajagira, muito guerreira;

Yèyé Oga, velha e brigona;

Yèyé Olóko, que vive na floresta;

Yèyé Ipetú;

Yèyé Morin ou Iberin, feminina e elegante;

Yèyé Kare, muito guerreira;

Yèyé Oníra, guerreira;

Yèyé Oke, muito guerreira;

Òsun Pòpòlókun, cujo culto é realizado próximo à lagoa e que, diz-se no Brasil, não sobe à cabeça das pessoas. 


Sobre Òsun Àyálá, também chamada de Òsun Ìyánlá, a Avó, diz-se que era uma mulher poderosa e guerreira, que ajudava Ogum Alagbedé, seu esposo, na forja, da mesma maneira que Oiá. Ogum forjava e, quando o ferro começava a esfriar, ele o colocava no fogo, atiçado por oxum que fazia funcionar os foles em cadência. O barulho que eles faziam, kutu, kutu, kutu, era ritmado e parecia que Oxum tocava um instrumento de música. Um Egúngún que passava pela rua se pôs a dançar, inspirado pelo som que provinha dos foles . Os passantes maravilhados testemunharam seu contentamento oferecendo dinheiro. Muito honestamente. Egúngún entregou metade da soma recolhida a Oxum, a Avó, o que lhe valeu ser denominada de: 
"Tocadora de música num fole para fazer dançar Egúngún". 
Proprietária do fole que sussurra como a chuva, 
E cuja tosse ressoa como urra o elefante.

(Pintura de Agnes do Santo)

Segundo Epega, os reis Awaùjalè de Ijebu-Erê, em Eriti, e de Ijebu-Odê, em Ijebu, saúdam Oxum dizendo: "Minha Mãe". 
Laços muito estreitos existem entre Oxum e os reis de Oxogbô. Neste lugar, a festa anual das oferendas a Oxum é uma comemoração pela chegada de Laro, fundador da dinastia, às margens deste rio cujas águas correm permanentemente. Laro, depois de muitas atribulações, achando o local favorável ao estabelecimento de uma cidade, aí se fixou com a sua gente. Alguma dias depois de sua chegada, uma de suas filhas foi banhar-se no rio e desapareceu sob as águas. Reapareceu no dia seguinte, soberbamente vestida, declarando ter sido muito bem acolhida pela divindade do rio. Laro, para demonstrar a sua gratidão, dedicou-lhe oferendas. Numerosos peixes, mensageiros da divindade, vieram comer, em sinal de aceitação, as comidas que Laro havia jogado nas águas. Um grande peixe, que nadava próximo ao local onde este se encontrava, cuspiu-lhe água. Laro recolheu esta água numa cabaça e bebeu, fazendo assim um pacto de aliança com o rio. Estendeu, depois, as duas mãos para frente e o grande peixe saltou sobre elas. Laro recebeu o título de Atóója – contração da frase iorubá A téwó gbáà ejá (Ele estende as mãos e recebe o peixe) e declarou: Òsun gbo (Oxum está em estado de maturidade), suas águas serão sempre abundantes. Essa foi à origem do nome da cidade de Oxogbô. 

(Pintura de Jerry D' Oxóssi)

No dia da festa anual, Atáója vai solenemente até as margens do rio. Tem a cabeça coberta por uma coroa monumental feita com pequenas miçangas reunidas e é vestido com pesada roupa de veludo. Anda com calma e gravidade, rodeado por suas mulheres e seus dignitários. Nessa procissão anual, uma de suas filhas leva a cabaça contendo os objetos sagrados de Oxum. É a Arugbá Òsun (aquele que leva a cabaça de Oxum). Ela representa a moça que outrora desapareceu no rio. Sua pessoa é sagrada, e o próprio rei inclina-se à sua frente. Depois que atinge a idade da puberdade, ela não pode mais preencher essa função. Mas, pela graça de Oxum, a descendência de Atáója é sempre numerosa, não faltando, pois, a possibilidade de se encontrar uma Arugbá Òsun disponível. 
Atáója senta-se numa clareira e acolhe as pessoas que vêm assistir à cerimônia. Os reis e os chefes das cidades vizinhas estão todos presentes ou enviam representantes. As delegações chegam, uma após outra, acompanhadas de músicos. Trocas de saudações, prosternações e danças sucedem-se como formas de cortesia recíprocas, com animação crescente. Ao final da manhã, atáója, acompanhado do seu povo e dos seus hóspedes, aproxima-se do rio e aí manda lançar oferendas e comidas, no mesmo lugar onde Laro o fizera outrora. Os peixes as disputam sob o olhar atento das sacerdotisas de Oxum. 
A seguir, Atáója dirige-se até as proximidades de um pequeno templo vizinho e senta-se sobre a pedra – Òkúta Laro -, onde seu ancestral Laro havia repousado em outros tempos. A adivinhação é feita para saber se Oxum está satisfeita e se ela tem vontades a exprimir. Atáója volta em seguida para a clareira, onde recebe e trata seus convidados com uma generosidade digna da reputação de Oxum, a rainha de todos os rios.

(Desconheço o autor(a) quem souber, favor informar para ser dado os devidos créditos)

Oxum no Novo Mundo 


No Brasil e em Cuba, os adeptos de Oxum usam colares de contas de vidro de cor amarelo-ouro e numerosos braceletes de latão. O dia da semana consagrado a ela é o sábado e é saudada, como na África, pela expressão "Ore Yèyé o!!!" ("Chamemos a benevolência da Mãe !!!"). 


É recomendável fazer sacrifícios de cabras a Oxum e oferecer-lhe prato de mulukun (mistura de cebolas, feijão-fradinho, sal e camarões) e de adum (farinha de milho misturada com mel de abelha e azeite doce). A sua dança lembra o comportamento de uma mulher vaidosa e sedutora que vai ao rio se banhar, enfeita-se com colares, agita os braços para fazer tilintar seus braceletes, abana-se graciosamente e contempla-se com satisfação num espelho. O ritmo que acompanha as suas danças denomina-se "ijexá", nome de uma região da África, por onde corre o rio Oxum. 

No Brasil, ela é sincretizada com Nossa Senhora das Candeias, na Bahia, e Nossa Senhora dos 

Prazeres, no Cuba ela o é com Nuestra Señora de la Caridad Del Cobre. 


Arquétipo 


O arquétipo de Oxum é o das mulheres graciosas e elegantes, com paixão pelas jóias, perfumes e vestimentas caras. Das mulheres que são símbolos do charme e da beleza. Voluptuosas e sensuais,porém mais reservadas que Oiá. Elas evitam chocar a opinião pública, à qual dão grande importância. Sob sua aparência graciosa e sedutora esconde uma vontade muito forte e um grande desejo de ascensão social.


Esse texto foi retirado do livro: "Orixás" de Pierre Fatumbí Verger.


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